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Alexandra Malheiro (1972)

Alexandra Malheiro (1972)

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10.
Chove.
Nem posso acreditar
como chove a minha cidade,
chove em mim
e chove sobre todos…
nem posso acreditar
o quanto chove esta cidade…
Se ao menos chovesse anjos,
ou estrelas,
ou almas…
Mas nada.
Nada mais que a fria chuva
que me molha
e que molha a minha cidade
em que chove, chove, chove.
Nem posso acreditar
o quanto a minha cidade chove. […]

in “Sombras de Noite” 

 

9.
Comboio da meia-noite

Tergiversações

Uma rua sem casas 
ou o teu olhar no meu decote

Uma lua enevoada
ou a tua mão no meu peito

Um rio impoluto e manso
ou o teu respirar no meu cabelo

Uma nuvem prenunciando a chuva
ou a tua língua nos meus dentes

Um alvoraçar de pássaros rumando ao sul
ou todo tu dentro de mim

……………………………………………………………………………………….

Agora que tornamos a ser dois
que lugar haverá dentro de ti
onde eu possa permanecer? 

8.
Uma nuvem anuncia-se ameaçando o azul.
Em breve a liberdade vai ser
só cinzento. 

7.
Completa-me o sopro de vida,
carne,
onde aprofundo o meu corpo, 

6.
Deste lado da sombra
o mundo parece menos pálido. 

5.
Vem visitar comigo o céu, 

4.
Esta noite vou-te ler
um poema que escrevi,
não fala da lua cheia
nem de nada que já vi. 

3.
Um dia acordo e
o teu beijo
é a neve no olhar 

2.
Se nos amassemos
pela manhã
ou na cadência louca
do entardecer, 

1.
Escrevo-te adeus
mas não parto. 

Alexandra Malheiro nasceu em 1972, no Porto. É licenciada em Medicina pela Universidade do Porto e especialista em Medicina Interna.

É autora de 5 livros de poemas: “Sombras de Noite” (Elefante Editores -2004), “Circulação Transversa” (Corpos Editora – 2005), “A urgência das Palavras” (Edições Ecopy -2008), “Luz Vertical” (Edita-Me Editora – 2009) com prefácio de Pedro Abrunhosa e ilustrações de Miguel Ministro e “Geografias Dispersas” (Edita-Me Editora – 2011).

Participou, também, nas antologias “Poesia SMS” (Elefante Editores – 2003), “Os dias do Amor” (Ministério dos Livros Editores – 2009), “Divina Música” – Antologia comemorativa dos 25 anos do Conservatório de Viseu, organizada por Amadeu Baptista e “Só à noite os gatos são pardos” (ambos de 2009).

Sito in http://alexandramalheiro.no.sapo.pt/

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