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Alexandra Malheiro (1972)

Uma nuvem anuncia-se ameaçando o azul.
Em breve a liberdade vai ser
só cinzento. 

§

Completa-me o sopro de vida,
carne,
onde aprofundo o meu corpo, 

§

Deste lado da sombra
o mundo parece menos pálido. 

§

Vem visitar comigo o céu, 

§

Esta noite vou-te ler
um poema que escrevi,
não fala da lua cheia
nem de nada que já vi. 

§

Um dia acordo e
o teu beijo
é a neve no olhar 

§

Se nos amassemos
pela manhã
ou na cadência louca
do entardecer, 

§

Escrevo-te adeus
mas não parto. 

§

Alexandra Malheiro nasceu em 1972, no Porto. É licenciada em Medicina pela Universidade do Porto e especialista em Medicina Interna.

É autora de 5 livros de poemas: “Sombras de Noite” (Elefante Editores -2004), “Circulação Transversa” (Corpos Editora – 2005), “A urgência das Palavras” (Edições Ecopy -2008), “Luz Vertical” (Edita-Me Editora – 2009) com prefácio de Pedro Abrunhosa e ilustrações de Miguel Ministro e “Geografias Dispersas” (Edita-Me Editora – 2011).

Participou, também, nas antologias “Poesia SMS” (Elefante Editores – 2003), “Os dias do Amor” (Ministério dos Livros Editores – 2009), “Divina Música” – Antologia comemorativa dos 25 anos do Conservatório de Viseu, organizada por Amadeu Baptista e “Só à noite os gatos são pardos” (ambos de 2009).

Sito in http://alexandramalheiro.no.sapo.pt/

Esboço de Vasco Barreto

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