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Isabel Sousa (1958-2010)

Isabel Sousa (1958-2010)

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A ISABEL deixou-nos. Fica o que muito fez pela Leitura Pública em Portugal. Sempre com os olhos no futuro, a desejar sempre o melhor para as bibliotecas, a correr por elas, e a transgredir o nosso movimento lento de fazer as coisas. Para todos os profissionais um exemplo. Uma força que tem que ser maior que a morte. Ela tornou vivas as bibliotecas. Deixo aqui um artigo publicado num jornal regional em Jan. 07

“Isabel Sousa não é uma mulher de consensos. E assume. O seu extenso e prestigiado currículo é também marcado pela divergência que as suas ideias e atitudes suscitam. Mas será possível a iniciativa e o dinamismo sem, pelo caminho, criar fracturas? Muitas vezes, não. «O meu feitio também é complicado», confessa.

Nascida na zona da Praia da Granja, após a licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a pós-graduação em Ciências Documentais pela Universidade de Coimbra, Isabel Sousa correu o país enquanto arquivista e bibliotecária. Foi nestas funções que trabalhou e colaborou com várias bibliotecas do Norte do país e trabalhou entre 1989 e 1990 com o professor e historiador José Mattoso na Comissão de Reforma e Reestruturação do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, o mais importante espólio nacional.

O trabalho desenvolvido ao longo da carreira não passou despercebido mesmo ao mais alto nível e em 2000 aceita o convite do ministro Manuel Maria Carrilho para Comissária Nacional do Ano do Livro e da Leitura. O ano seguinte surpreende-a com outro desafio irrecusável. Isabel de Sousa arregaça as mangas para conceber e desenvolver o Centro de Arquivo e Documentação da recém-criada NTV (televisão do Norte), canal por cabo já extinto.

A assessoria cultural da Câmara Municipal de S. João da Madeira é assumida no final de 2002 e é nesse papel que idealiza e põe no terreno a reconhecida Poesia à Mesa, estreada no Dia Mundial da Poesia de 2003. Em parceria com associações e instituições do concelho, mas também com o comércio local (desde quiosques a cafés e bares), esta iniciativa pretendia fazer nascer a paixão da leitura de poesia nas pessoas comuns. O sucesso desde logo alcançado tornou-a obrigatória no panorama cultural do concelho, até hoje.

A 12 de Abril de 2003, o suplemento DNA do Diário de Notícias elogiava a originalidade de Poesia à Mesa: «Pôr os habitantes de S. João da Madeira a ler mais poesia era o objectivo primeiro – mas só o requinte e a beleza de nos sentarmos à mesa de um café e termos um poema para ler merecia uma vista especial à cidade! Parabéns!» Em 2004, o ministro Pedro Roseta não resistiu e mostrou em público os seus dotes de declamador.

Para a Biblioteca Municipal de Espinho, que dirige desde 2005, Isabel Sousa afirma ter em conjunto com a vereação da cultura da Câmara Municipal muitos projectos em mente, contudo, grande parte só serão materializados após a mudança para as novas instalações. «Quero sair daqui o mais rápido possível», diz, referindo-se ao espaço ocupado pela biblioteca no Salão Nobre da Piscina Solário Atlântico, na rua 6. Na Área Metropolitana do Porto, Espinho é o único concelho sem uma biblioteca construída propositadamente para o efeito.

E, por fim, entre os milhares de papéis e livros que cercam a sua secretária, surge a pergunta típica para um bibliotecária. O que gosta de ler? «Leio tudo o que tem que ver com a profissão, muitos ensaios. De resto, gosto do espanhol Enrique Vila-Matas, dos portugueses Urbano Tavares Rodrigues e José Luís Peixoto, e da poesia de Manuel António Pina».

Desde que chegou a Espinho, a biblioteca tem servido de anfitriã a debates e colóquios sobre os mais variados temas. Em Dezembro, no colóquio ‘Biblioteca para Todos’, comemorativo do Dia Internacional do Deficiente, o jornalista Carlos Magno imputava a sua presença como moderador à amizade e admiração que o une a Isabel Sousa desde os tempos da faculdade. “Um dia, o Francisco José Viegas chamou-a de Rosa Mota das bibliotecas”.

Por Luísa Alvim in http://vivabibliotecaviva.blogspot.com

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Conheci Isabel Sousa na Biblioteca Raul Brandão, em Guimarães, há muitos anos. Depois, encontrei-a em muitas outras (S. João da Madeira, Espinho, etc.), ou em iniciativas invulgares (pão com livros, pizzas e livros, etc) que ela inventou, organizou e defendeu. Onde ela estava, estava também a paixão pelas bibliotecas, pelos livros, pelas salas onde os livros se guardavam e abriam. Morreu esta noite ao fim de um ano difícil e de muito sofrimento. Amanhã, de manhã, a (sua bela) Granja despede-se de Isabel. Todos os que gostam das bibliotecas portuguesas ficam mais tristes, muito mais tristes.

Por Franciso José Viegas in http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/1250013.html

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Estive uma grande parte do dia em São João da Madeira, passei à porta de uma das bibliotecas que ela dinamizou, lembrei-me de quando ali fui para apresentar um livro do Valdemar Cruz e referi-o circunstancialmente numa conversa – recordei-me dela, portanto; tive-a presente. Quando cheguei à secretária, agora ao final da tarde, abri o blogue do Francisco e soube que ela, a Isabel Sousa, morreu. Uma coisa muito triste. A Isabel era demais. Concretizou muitos projectos e, tenho a certeza, morreu ainda cheia de coisas que queria ter feito. Se houvesse céu ou inferno, ela havia de pôr aqueles caralhos todos a ler.

Por M.J.Marmelo in http://teatro-anatomico.blogspot.com

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Morreu no dia 13 de Outubro Isabel de Sousa, bibliotecária ligada ao Programa da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas desde a sua origem.

Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e pós-graduada em Ciências Documentais pela Universidade de Coimbra, foi bibliotecária de várias bibliotecas do Norte do País. Neste âmbito, foi responsável por diversos projectos e actividades inovadoras na área do livro e da leitura, tal como o aclamado Poesia à Mesa, estreado em São João da Madeira em 2003, no Dia Mundial da Poesia.Em 2000 foi nomeada Comissária Nacional do Ano do Livro e da Leitura pelo então Ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho.

in http://www.iplb.pt/

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Morreu Isabel Sousa, uma bibliotecária fantástica que revolucionou o mundo dos livros a norte do país, tendo passado pelas bibliotecas de Guimarães, Santa Maria da Feira e Espinho. Minha vizinha na Praia da Granja, era uma mulher única. Até sempre, Isabel!

Por Sofia Bragança Buchholz in http://31daarmada.blogs.sapo.pt

3 COMENTÁRIOS

  1. Desejo que descanses em paz! Concordo com quem acha que havendo céu ou inferno tu vais pô-los todos a ler a declamar a amar os livros e os escritores a fazer de ambos os nossos maiores amigos. Conheci-te em 1987 numa visita de estudo era eu aluna da pós-graduação en ciências documentais na Universidade de Coimbra, numa visita que fizemos a Famalicão (biblioteca) e mais tarde já estavas em Guimarães com a Bibloiteca e o Arquivo. Durante a vida estivemos juntas muitas vezes, e há uns anos que trabalhavas aqui em Espinho eu no Arquivo e tu na Biblioteca. Lembro-me que quando vim dessas visitas de estudo pensei – quero ser tão boa profisssional como esta senhora e a vida veio muitos anos mais tarde a juntar-nos. Coincidências?! Há muito que tu e eu sabíamos das nossas recíprocas maleitas e das nossas lutas, a tua foi breve eu permaneço nesta guerra diária contra um inimigo silencioso a tua foi brutal e sei que venceste pois mantiveste sempre uma imensa dignidade. Mulheres guerreiras fazem falta neste mundo, mas se calhar (eu que acredito) também fazem no outro mundo, onde já deves ter encontrado muitos amigos e principalmente escritores, pintores gente das Artes que sempre reconhecestes e louvaste, por isso sei, que estás bem, não sei se a fumar minha malandra, mas olha se aí deixam aproveita, já não tens a chata da Beatriz a pedir-te para não fumares. Até sempre!

  2. Olá Isabel

    Sei que foste fazer uma viagem longa, partiste sem bilhete de volta, mas do meu coração não partirás.
    Obrigado. A ti devo estar a trabalhar numa Biblioteca Pública, a ti devo o gostar de ter esta profissão.
    Trabalhei contigo nos primeiros anos desta carreira de Técnica de Bibliotecas em Vila Nova de Famalicão.Tinhas cá um feitio danado, mas eras uma grande amiga.
    OBRIGADO
    SABES… VOU TER SAUDADES

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