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Porto visto por Laudeir Borges

Porto visto por Laudeir Borges

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LAUDEIR Borges, além de Belo Horizonte, cidade onde nasceu, viveu em Varginha e Viçosa, no interior do estado de Minas Gerais, até se fixar em Brasília, Brasil. Diz-se oriundo de uma terra entre montanhas, feita de pessoas ensimesmadas; de um lugar onde os estrangeiros têm levado o que há de melhor, exceto os grandes poetas naturais da região. Considera-se um aprendiz de minerador da palavra. Com quatro amigos formou o coletivo O Grito para a produção de postais poéticos. Após o nosso contacto ficou o incentivo de conhecer a cidade do Porto, que o faz lembrar o vinho com o mesmo nome.

Por Paulo Moreira Lopes

1 – Data de nascimento e naturalidade (freguesia e concelho)?

18 de junho de 1966, em Belo Horizonte, Brasil.

2 – Atual residência (freguesia e concelho)?

Brasília, Distrito Federal.

3 – Em que outros locais viveu de modo permanente?

Varginha (cidade cafeeira) e Viçosa (cidade universitária), no interior do estado de Minas Gerais.

4 – Formação académica?

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 1988, onde conheci e reconheci os amigos para a vida com quem formo o coletivo literário O Grito.

5 – Atividade profissional?

Ao longo dos anos, editor de texto em várias emissoras de TV, atuando principalmente com telejornalismo, mas também como diretor de programas e roteirista de vídeos institucionais e jornalísticos.

6 – Em que medida o local onde nasceu e viveu ou vive, influenciou ou influencia a sua vida artística?[1]

Sou oriundo de uma terra entre montanhas; de um lugar onde é dito e acreditado que as pessoas são ensimesmadas; de um lugar de onde a colonização portuguesa e as que a sucederam levaram ouros, tesouros, pedras que brilham e minérios que constroem parte do mundo; terra de mineradores da palavra, como Drummond, Guimarães Rosa, Adélia Prado. Mineiro das Minas Gerais, aprendiz de minerador da palavra sou eu.

7 – Quando pensa na cidade do Porto lembra-se imediatamente de quê?

Porto faz com que me lembre dos vinhos a que empresta o nome. A partir do vinho, a referência me encaminha a ideias de doçura, intensidade e força.

8 – Já visitou o Porto? Em caso afirmativo, por que motivo e qual a ideia com que ficou da cidade e da região?

Infelizmente ainda não visitei a região, mas, com certeza, o contato agora com Correio do Porto é mais do que um incentivo a uma viagem.

Literatura postal

9 – Tem a mania dos postais? Em caso afirmativo como explica essa apetência por uma literatura tão sucinta e tão efémera?

Sempre gostei de comprar postais dos lugares que visito, como recordação da viagem e, às vezes, para enviar a amigos. Além disso, sempre foi um prazer enviar e receber cartões de Natal. A apetência vem justamente da concisão e da efemeridade: há um vislumbre de eternidade no sentimento que segue junto com os postais de viagem, de Natal: enviar um postal é dizer “recordei-me de ti” – e recordar, bem o sabemos, é trazer ao coração.

10 – Sente mais prazer em comprar, escrever e enviar o postal, em saber que foi recebido por outro ou em receber postais de outros?

Alegrias diferentes, incomparáveis.

11 – Tendo em conta a popularidade da correspondência postal, será que podemos falar de uma literatura postal, quem sabe como uma derivação dos contos ou microcontos?

É no que acredito e no que estou envolvido, juntamente com quatro amigos: Alexandre, Fátima, Hila, Sidneia. Formamos, no ano passado, o coletivo O Grito para a produção de postais poéticos. A primeira edição, lançada em dezembro de 2016, traz 5 postais que versam sobre a memória. Eu, Laudeir, escrevo sobre os mil bichos que povoam nossas paisagens de dentro. Não posso deixar de mencionar a ilustração da artista Mariana Capelo e o design gráfico de Luísa Rodrigues – fundamentais para o meu Grito da Palavra.

12 – Endereço na web/blogosfera para o podermos seguir?

laoborg@gmail.com

Facebook: Coletivo O Grito

[1] NOTA: a pergunta pressupõe a defesa da teoria do Possibilismo (Geografia Regional ou Determinismo mitigado) de Vidal de La Blache, depois seguida em Portugal por Orlando Ribeiro, de que o meio (paisagem, rios, montanhas, planície, cidade e, acrescentamos nós, linguagem, sotaque, festividades, religião, história) influenciam as opções profissionais e artísticas dos naturais desse lugar.

§

laudeir_borge_frente_HP_2016

Inventário por Laudeir Borges para a I Convocatória de Histórias em Postais.

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