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Sandra Morais...

Sandra Morais, 44 anos

Foto: Nelson Garrido

OS “famosos cinco” eram Sandra Morais, os irmãos e os primos e o cenário das suas aventuras era a fábrica que o pai abriu em Leça do Balio em 1976. Na Custoitex, os miúdos brincavam a Os Cinco e o cão Tim era o tubo das meias. Então, Sandra não imaginava que seria a gerente e que veria nascer marcas de sucesso como a Collove, a “pérola” da empresa que é especialista em collants e roupa interior sem costuras. A marca abriu recentemente a sua loja online e lançou a linha desportiva Active.

É rodeada de bustos vestidos com amostras de bodies e pernas com meias-calças da nova colecção que Sandra Morais, aos 44 anos, começa a desfiar o passado vivido nos corredores da Custoitex. Depois da idade das traquinices e brincadeiras, chegou a “colar bolas coloridas nos catálogos” dos produtos e a ajudar a embalar encomendas. Aos 17 anos e durante as férias escolares, Sandra trabalhou na tesouraria. Já em 1997, a coisa tornou-se mais séria e assumiu a função de gestora de produto da Collove — estava a marca há uma década no mercado. Saída da universidade, licenciada em Gestão de Marketing, as ideias fervilhavam-lhe na cabeça: “Entrei cheia de vontade de fazer muita coisa do que tinha aprendido.” Percorreu o país para fazer um levantamento do sector no mercado e visitar actuais e possíveis clientes. Regressou à empresa com mais ideias ainda. Mais tarde fez um MBA.

Em 2008, Sandra passou a gerente da Custoitex, que, além da Collove, trabalha também as marcas D’Ella — comercializada num mercado mais especializado — e Coll — vendida nas grandes superfícies. Hoje é sobretudo para a Collove, “mais centrada na moda do que as outras”, que a gerente aponta baterias e canaliza “todo o esforço financeiro da empresa”. Só em 2016, esta marca facturou 700 mil euros, devendo este ano atingir mais cem mil. “É uma marca que a empresa está a internacionalizar” já com carteira de clientes na Europa e na América — a exportação representa 10% em países como Espanha, França, Inglaterra, Dinamarca e Colômbia.

Sandra Morais crê mesmo que a abertura, há 15 dias, da loja online vai contribuir para um crescimento na ordem dos 20% da Custoitex, nos próximos dois anos. “Decidimos lançar porque não temos loja própria e o mercado online está em franco crescimento”, justifica. Mesmo ao lado da fábrica existe uma loja com restos de colecção das várias marcas ali produzidas.

Enquanto Sandra gere a empresa, no andar de cima a irmã Mónica Morais idealiza as colecções. As ideias saltam do papel para a linha de produção, no piso inferior, com todas as etapas que Sandra sabe de cor e salteado. Enquanto mostra as máquinas de tricotagem que fazem a primeira fase da produção de uns collants, a gerente aponta para a linha de corte e cose das meias, explicando que depois dali vai a tingir. Segue-se o processo de acabamento e de embalamento dos produtos.

Mas é no andar superior que, por estes dias, já se vêem as amostras da nova colecção de Inverno, não só dos collants como de roupa interior e exterior sem costuras da Collove. “Este tipo de roupa sem costura, produzida a partir de 2000, recorre a uma tecnologia muito similar à dos collants e surge como complemento a estes”, explica a empresária.

Os collants são cor de vinho tinto e em tons marinho, preto e verde-tropa. Há ainda a linha de fantasia de meias-calças com renda. Além deste produto, a Collove contempla linhas de meias, slips, cueca asa-delta, biquínis, soutiens e linhas de desporto em tons sóbrios ou mais quentes. O lançamento da roupa de desporto também foi feita há apenas dois meses. “É feita de algodão biológico para fitness, ioga, pilates, com tecidos antitranspirantes”, descreve. Nesta marca há modelos para todos os gostos com “roupa interior confortável e sexy” também para homem. “Na linha para homem, os boxers e os slips estão em forte crescimento”, informa.

Mas a criação e a produção não se fica por aqui. Recentemente, a empresa conseguiu o aval do Infarmed — a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, responsável pelo reconhecimento dos produtos ligados à saúde — para a produção de umas meias de descanso, embora Sandra Morais ressalve que estas “não são medicinais”. “Também temos uma linha de grávida com faixa e cuecas.” Em cima da mesa está a possível confecção de produtos específicos para diabéticos.

Para trás ficaram os tempos difíceis, dos quais Sandra “não gosta” de falar, nomeadamente quando a empresa enfrentou um processo de insolvência. “Peguei na empresa numa altura difícil, porque acreditei no projecto.” Ao todo são 60 os funcionários que trabalham na fábrica, no escritório e no armazém. A gerente, mãe de uma menina de quatro anos, define-se como uma mulher “teimosa e muito perseverante, que não desiste”, espera continuar a ver crescer a Custoitex “durante muitos anos”.

Por Susana Pinheiro publicado in life&style do jornal Público.

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