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Maria Olívia ...

Maria Olívia Castanho (1947)

MARIA Olívia da Costa Castanho dos Santos nasceu em 1947, na Póvoa de Varzim. Fez a quarta classe e conheceu várias profissões até entrar para a Maconde, onde trabalhou 20 anos. Pelo meio, em 1968, casou com o fotógrafo David Santos e teve um casal de filhos. Um dia percebeu que tinha passado demasiado tempo numa fábrica e decidiu abrir um estúdio de fotografia, na Rua Patrão Lagoa, onde passou mais 20 anos, mas desta vez a fazer o que mais gostava.

“Tive uma infância atribulada. O meu pai era pescador e morreu num naufrágio quando eu tinha apenas oito meses. As brincadeiras das raparigas eram muito monótonas e passava o tempo com os rapazes a jogar ao pião, à bola, a correr com um aro ou com uma motinha que era feita com um toco de vassoura, uma roda e um pau pregado em cruz a fazer de guiador. Como entendia que nunca iria morrer, fazia tudo o que me desse na cabeça. Subia muros de três metros e corria por cima deles como se fosse na rua. Era a melhor forma de fugir de quem me queria bater por ter feito alguma asneira”, recorda Maria Castanho.

A intenção era ajudar no sustento da casa, mas as primeiras profissões tiveram uma durabilidade escassa: “Na altura havia a moda das meias de vidro e a minha mãe comprou um copo e uma agulha para eu ir aprender a apanhar malhas e recuperar meias. Passada uma semana, disse-lhe que me cansava muito os olhos. De seguida arranjou-me trabalho na Rua Patrão Lagoa, na casa de duas irmãs, que faziam camisolas à máquina. Trabalhei meio-dia. Eu gostava muito de conversar, mas as mulheres eram mudas. Depois fui aprender costura, mas como era um trabalho sempre sentada e na mesma posição, acabava o dia com dores no rabiote”.

Antes de assentar por quase duas décadas nas confecções Maconde, Olívia Castanho ainda experimentou ser cabeleireira: “Fui trabalhar para o Salão Urbano como ajudante de cabeleireira. Passado um tempo entrou a minha amiga Maria das Dores, que já percebia da profissão. Eu saía de casa, passava pela casa dela, a sul depois da igreja da Lapa, e vínhamos para o salão. Um dia entrámos uns minutos depois da hora e o patrão chamou-me e despediu-me. Estava a tirar a bata e disse à Dores o que se passou. Ela foi ter com o patrão e despediu-se também, para espanto do Urbano. Nós continuamos a sair de casa, mas íamos para a praia, ver os namorados e passear. O problema foi dar a semanada às mães. Tivemos que contar o sucedido, mas não evitei pancada de criar bicho. Depois dei o nome para a Maconde, tinha 15 anos”.

Leia a notícia na íntegra na edição impressa da A VOZ DA PÓVOA

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