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Leonel Carvalho, 31 anos

Leonel Carvalho, 31 anos

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COM um percurso académico sempre associado à Universidade do Porto, mais propriamente à Faculdade de Engenharia (FEUP), onde concluiu a licenciatura, o mestrado e o doutoramento (este último em 2013, em Sistemas Sustentáveis de Energia), Leonel Carvalho não esconde a vontade de continuar ligado à academia, fazendo aquilo que melhor sabe e que lhe tem valido algumas distinções: a investigação científica.

É também no INESC TEC, onde está há quase uma década, que continua a projetar o seu percurso profissional. Enquanto investigador sénior da instituição, esteve e está envolvido em vários projetos nacionais e internacionais nas áreas da sua especialidade: a avaliação da fiabilidade dos sistemas de energia e a aplicação de algoritmos de inteligência computacional para a resolução de problemas de otimização.

Foram, aliás, os algoritmos que lhe valeram o primeiro lugar nas duas últimas edições (2014 e 2017) da competição internacional intitulada “Application of Modern Heuristic Optimization Algorithms for Solving Optimal Power Flow Problems”.  Promovida pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), a maior associação profissional do mundo, esta competição desafia equipas em todo o mundo a encontrar soluções para um conjunto de problemas de otimização específicos de sistemas elétricos de energia utilizando técnicas meta-heurísticas.

Os dois algoritmos vencedores têm em comum o facto de partirem da meta-heurística Evolutionary Particle Swarm Optimization (EPSO), da autoria de Vladimiro Miranda, administrador do INESC TEC e professor na FEUP.

Naturalidade?
Espinho.

Idade?
31 anos.

De que mais gosta na Universidade do Porto?
Da excelente qualidade dos seus recursos humanos e da crescente aposta na internacionalização do ensino e investigação.

De que menos gosta na Universidade do Porto?
Apesar de todos os esforços, ainda existem algumas barreiras que impedem uma cooperação ativa entre os seus elementos.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
Promover a carreira de investigador e a fomentar mecanismos para a captação de investigadores de qualidade para os quadros da UP.

Como prefere passar os tempos livres?
Gosto de fazer desporto, de ler e de ir ao cinema.

Um livro preferido?
Genius: The Life and Science of Richard Feynman, de James Gleick.

Um disco/músico preferido?
Sou uma pessoa que aprecia diferentes estilos musicais, dependendo do estado de espírito. Mas confesso que sou um grande fã do Dave Grohl.

Um prato preferido?
Arroz de cabidela.

Um filme preferido?
Inception, do realizador Christopher Nolan

Uma viagem de sonho?
Talvez fazer um roteiro no Sudeste Asiático.

Um objetivo de vida?
A nível profissional, tenho como objetivo continuar ligado ao mundo académico uma vez que gosto bastante de fazer ciência. Pessoalmente, o objetivo natural é ser feliz e proporcionar o mesmo às pessoas que me rodeiam.

Uma inspiração?
Os meus pais, que sempre fizeram tudo ao seu alcance para que pudesse ter uma vida melhor.

Em que contexto o algoritmo desenvolvido pode ser aplicado e que benefícios pode trazer ao controlo e operação de sistemas e redes elétricas?
O algoritmo desenvolvido foi aplicado a dois problemas de otimização complexos do sistema elétrico de energia que se enquadram na classe de problemas da programação não-linear inteira-mista. Um dos problemas consiste em otimizar os custos de operação do subsistema produção/transporte considerando a incerteza da produção renovável, nomeadamente, produção eólica e solar. O outro problema prende-se com a otimização dos resultados operacionais de um novo ator no setor elétrico, o agregador, que compra/vende energia no mercado elétrico e/ou usa recursos distribuídos, nomeadamente, armazenamento de energia, para garantir o abastecimento de energia elétrica aos seus clientes. Portanto, este algoritmo permite uma grande flexibilidade, uma vez que consegue resolver problemas de natureza distinta, garantindo simultaneamente a qualidade das soluções encontradas como comprovado pelo bom desempenho no concurso.

Em 2014 venceu o mesmo prémio com outra abordagem. Pode-nos explicar qual a diferença entre os algoritmos de 2014 e de 2017?
A base dos dois algoritmos é a meta-heurística EPSO da autoria do professor Vladimiro Miranda. Em 2014 utilizei uma versão aperfeiçoada desta meta-heurística, designada por DEEPSO, que contém avanços no processo de geração de soluções. Este ano utilizei uma abordagem um pouco diferente, que consiste na combinação das vantagens da meta-heurística EPSO com o método de otimização Cross-Entropy desenvolvido pelo matemático israelita Reuven Rubinstein. Há sempre formas de melhorar os algoritmos e é importante testar novos conceitos. Felizmente tem corrido bem.

Por Eunice Oliveira publicado in http://noticias.up.pt/

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