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Jorge Gentil Dias Morim (1939)

JORGE Gentil Dias Morim nasceu em 1939, na Póvoa de Varzim. É casado com Hermínia Lopes e pai de três rapazes e uma rapariga. Frequentou a Escola Comercial, na antiga fábrica do Gás, mas a partir dos 13 anos deixou os estudos para ajudar o pai no “O Meu Café”, única actividade profissional que conheceu em toda a sua vida.

Ainda menino não imaginava que um dia ia parar a um café, mas as brincadeiras já antecipavam o futuro. “O meu pai tinha uma mercearia em frente à Escola dos Sininhos e entre outras coisas torrava e vendia café. Eu e a minha irmã, com uns fundos de garrafas partidas, inventávamos um açucareiro e uma chávena imaginando-nos adultos à mesa de um qualquer café”, recorda Jorge Morim.

O pai, mais conhecido por Abel Gaio, passou a mercearia à firma Raul & Costa e adquiriu uma casa na Rua Paulo Barreto, onde abriu um estabelecimento para venda de máquinas de costura da marca Oliva, máquinas de escrever e rádios. Como o negócio não era rentável, fez obras no espaço e fundou, em 1951, “O Meu Café”.

“Na altura foi um risco, porque muitos clientes estavam habituados a frequentar as tabernas que havia ali por perto, o Afonso das Letras, o Zé Gomes, o Subidinho e outras. A verdade é que o café começou a ganhar cada vez mais clientes e eu tive que abandonar os estudos para ajudar o meu pai. O leite de manhã era fornecido pelas leiteiras, mas quando acabava eu ia, com um caneco de três litros, buscar mais a casa dos lavradores de São Brás ou Barreiros. Fiz todo o percurso de aprendizagem. Comecei por pesar café em pacotes de 220 gramas e encher uns açucareiros, que tinham em cima da tampa uma estatueta do Cego do Maio, feitos pelo Quilôres do museu”.

Como os açucareiros eram raros e originais, iam desaparecendo. Isso provocou uma ideia inventiva, recorda Jorge Morim: “Aproximava-se a festa da Senhora das Dores e o meu pai encomendou à tipografia do Agonia Frasco uns pequenos cartuchos, que hoje são os vulgares sacos de açúcar. Penso que fomos os pioneiros”.

Os tempos eram outros. Como ninguém tinha frigorífico, a cerveja era refrescada dentro de barris de madeira com barras de gelo e as primeiras máquinas de café eram de saco: “A máquina tinha uma serpentina e umas vasilhas de dois litros. Depois havia um saco de flanela, metíamos lá dentro 220 gramas de café, mexíamos com uma colher de pau e servíamos o café”.

Jorge Morim prossegue: “Acompanhámos sempre a modernização e fomos o terceiro estabelecimento a comprar uma máquina de café, depois do Expresso Bar e do Palácio Hotel. Quando adquirimos o primeiro bilhar livre e mais tarde um snooker só o Palácio Hotel tinha bilhares. Chegámos a ter seis e os estudantes andavam à porrada para jogar. Quando este café abriu só havia o Guarda Sol, o Diana Bar, o Cristal, o Avenida, o Palácio Hotel, o Castelo, o Póvoa Cine, o Universal, o Recife e o Café Ribeiro. Restamos nós e o Guarda Sol, que é o mais velho”.

Leia a notícia na íntegra na edição impressa da A VOZ DA PÓVOA.

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