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Filipe Pereira, 37 anos

Filipe Pereira, 37 anos

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ETERNO curioso sobre o funcionamento de tudo o que o rodeia, Filipe Pereira enveredou pela área da Biologia atraído pela complexidade e diversidade das inúmeras formas de vida. O gosto pela Ciência é, de resto, algo inato a este investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto que, em criança, sonhava ser astronauta, e que tem deixado a sua marca em vários domínios da Ciência.

A investigação levada a cabo por Filipe Pereira abrange diferentes áreas da genética, biologia molecular, bioinformática, forense e ecologia, demonstrando o fascínio que tem pelos mais diversos assuntos. Os seus primeiros trabalhos permitiram identificar a enorme riqueza genética das raças autóctones portuguesas de animais domésticos, revelando também importantes aspetos sobre a história das populações humanas no sul da Europa e Norte de África ao longo dos últimos milénios.

Numa vertente mais ligada à tecnologia e inovação, desenvolveu e patenteou um novo método molecular de identificação de espécies (o SPInDel), atualmente a ser utilizado em vários laboratórios por todo o mundo. Recentemente, e já no CIIMAR, desenvolveu um teste genético que é capaz de identificar o salmão-do-atlântico AquAdvantage, o primeiro animal geneticamente modificado autorizado para consumo humano.

O fascínio pela molecula do DNA levou Filipe Pereira a interessar-se pela área da bioinformática. A sua equipa de investigação tenta compreender de que forma o DNA das mitocôndrias sofre certo tipo de alterações (os chamados rearranjos genómicos) que estão associadas a varias doenças altamente debilitantes e mortais. Nesta área, tem também desenvolvido inúmeras bases de dados na internet para partilha de dados de livre acesso, sendo utilizadas por centenas de investigadores de todo o mundo. De realçar a primeira base de dados a nível mundial dedicada à análise e desenvolvimento de métodos de identificação e tratamento do vírus Ébola.

Numa colaboração a longa distância, participou numa investigação independente que demonstrou a inutilidade do programa de erradicação da raposa vermelha na ilha da Tasmânia, onde ela nunca existiu. Esta colaboração permitiu o término de um programa dispendioso, inútil e perigoso para o ambiente.

Com mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais e detentor de uma patente, Filipe Pereira é licenciado em Biologia (2003) e Doutorado (2009) pela Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP). Iniciou a sua carreia científica no IPATIMUP e, em 2013, integrou o CIIMAR, onde continua a desenvolver a sua investigação.

Naturalidade?
Porto.

Idade?
37 anos.

De que mais gosta na Universidade do Porto?
O melhor que a U.Porto tem são aquelas pessoas que trabalham de forma dedicada e competente para que esta Universidade seja uma referência na investigação científica, desenvolvimento tecnológico e ensino. A única forma que a U.Porto tem para melhorar nas suas várias vertentes é com um trabalho de equipa competente e organizado, onde o mérito seja reconhecido e valorizado. E todos são igualmente importantes nesta tarefa.

De que menos gosta na Universidade do Porto?
O sistema desatualizado, burocrático e obscuro com que algumas das instituições da Universidade são geridas. Existe uma falta de contacto (ou de interesse) de algumas chefias com a realidade de quem trabalha na investigação e ensino. A juntar a isto, temos um sistema burocrático que atrapalha todos aqueles que querem fazer um trabalho de qualidade.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
A implementação de um sistema que valorize quem trabalha mais e melhor. Todos deveriam ser avaliados de forma justa e clara, e o resultado dessa avaliação deveria ser público e ter consequências. 

Como prefere passar os tempos livres?
Com a família e amigos.

Um livro preferido?
Não tenho nenhum preferido, e leio de tudo um pouco. Qualquer um do Steinbeck é um hino à qualidade.

Um disco/músico preferido?
Ouço de tudo um pouco.

Um prato preferido?
Quase tudo da comida tradicional portuguesa, desde um bom peixe fresco grelhado a umas tripas à moda do Porto.

Um filme preferido?
Pela diversidade, originalidade e inovação, toda a obra do Kubrick.

Uma viagem de sonho?
A uma outra galáxia.

Uma inspiração?
Sou inspirado por quem é competente, inteligente e organizado.

O projeto da sua vida…
Ser melhor todos os dias.

Quais os próximos passos para a investigação científica em Portugal?
A investigação científica atualmente em Portugal não dá passos, rasteja. Se querem que a investigação dê passos no bom caminho, desenvolvam um sistema organizado, justo e onde o trabalho seja valorizado e apoiado. É pena ver que muita gente ainda não percebeu que a ciência é o motor das sociedades mais justas e desenvolvidas.

Por Joana Saiote publicado in http://noticias.up.pt/

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