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Clara Pereira, 37 anos

Clara Pereira, 37 anos

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LICENCIADA em Química pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Clara Pereira doutorou-se também em Química pela mesma instituição, em 2011, na área de Nanocatálise. Durante o doutoramento começou a colaborar em projetos relacionados com o setor têxtil, o que a motivou a prosseguir a sua investigação após o doutoramento nessa área em colaboração com outros centros de investigação multidisciplinares – LSRE/LCM (DEQ, FEUP) e IFIMUP-IN(DFA, FCUP) – e com os centros de transferência tecnológica CeNTI e CITEVE.

Atualmente, Clara é investigadora FCT “Starting Grant” no Laboratório Associado REQUIMTE/LAQV, Departamento de Química e Bioquímica, FCUP. A sua investigação centra-se no Desenvolvimento de Têxteis Funcionais e Inteligentes baseados em Nanotecnologia para Armazenamento de Energia, Proteção e Sensorização.

Do laboratório para o mercado, o projeto de investigação de Clara Pereira tornou-se numa startup, a WEStoreOnTEX, dedicada ao desenvolvimento de têxteis e acessórios flexíveis que armazenam energia para alimentar dispositivos eletrónicos e sensores integrados na roupa.

Nascida no seio académico, a ideia de negócio começou por receber, em 2016, o Prémio Best Energy Business no iUP25k 2016 – Concurso de Ideias de Negócio da U.Porto, bem como pela conquista do 3.º lugar no mesmo concurso. No ano seguinte, a WEStoreOnTex venceu o Prémio Inovação da Exame Informática “Os Melhores do Portugal Tecnológico”, o Pitch Day da 8ª edição da Escola de Startups do UPTEC e , por ter sido segundo classificado na final nacional, vai representar Portugal em Chipre na final internacional do ClimateLaunchpad, nos dias 17 e 18 de outubro.

Naturalidade?
Porto, embora tenha sempre vivido em Vila Nova de Gaia.

Idade?
37.

De que mais gosta na Universidade do Porto?
Do ambiente de criatividade e dinamismo da Universidade e da sua ligação com a própria Cidade nas vertentes de criação, inovação e empreendedorismo. Também da Excelência na Investigação e Ensino. Mais recentemente, realço o seu investimento nas áreas de transferência tecnológica e de aproximação entre os centros de investigação e as empresas.

De que menos gosta na Universidade do Porto?
Da separação geográfica entre os diferentes Pólos. Deveria haver maior proximidade entre todas as áreas do Conhecimento, nomeadamente entre Ciências, Engenharia, Arte e Empreendedorismo.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
São várias as ideias. Antes de mais, a criação de um espaço cultural de convívio entre pessoas de diferentes áreas de conhecimento, com realização de tertúlias, debates, concertos, etc., onde se partilhe o que de melhor se faz na U.Porto. A criação de uma linha de Metro entre o Polo de Campo Alegre e o da Asprela, para assim aproximar os polos da U.Porto. Como investigadora, também não poderia deixar de mencionar a necessidade de valorização da carreira de Investigador e a possibilidade da sua integração nos quadros da Universidade. E, por último, a criação de uma base de dados (plataforma) com um levantamento das expertises e infra-estruturas existentes nos diferentes centros de investigação, como ferramenta para potenciar colaborações entre os diferentes centros da U.Porto e para divulgação junto das empresas, uma medida que acredito poder tornar a marca Universidade do Porto ainda mais forte.

Como prefere passar os tempos livres?
A passear à beira-mar, a conhecer lugares novos, a inventar novas receitas culinárias e a ouvir música.

Um livro preferido?
São vários, mas destaco “O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry e “Fernão Capelo Gaivota” de Richard Bach, pelo simbolismo da história, associado ao facto de viver numa cidade onde as Gaivotas são Rainhas.

Um disco/músico preferido?
Não tenho nenhum disco nem músico de eleição em particular. Gosto de ouvir vários estilos musicais, dependendo do estado de espírito, mas se tivesse que destacar alguns grupos preferidos seriam U2, Coldplay, Sting e o compositor Hans Zimmer.

Um prato preferido?
Puré com almôndegas da minha Mãe (almôndegas à “Bourguignonne”). Aquele prato que nunca me canso de comer!

Um filme preferido?
“O Paciente Inglês” de Anthony Minghella, “Babel” de Alejandro González Iñárritu e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” de Jean-Pierre Jeunet.

Uma viagem de sonho?
Percorrer Itália de Norte a Sul pelas suas paisagens pitorescas, cenários idílicos, romantismo. Um país que conjuga Arte, História, Cultura, Natureza e, claro, não faltando a Gastronomia. Incluindo, naturalmente, os gelados! Tive a oportunidade de visitar a região Norte e de Toscana e ficou o forte desejo de regressar. 

Um objectivo de vida?
A nível profissional, conseguir criar algo que faça a diferença na vida das Pessoas e conseguir inspirar os Estudantes com quem tenho vindo a trabalhar a darem sempre o melhor de si próprios.

A nível pessoal, continuar a manter a capacidade de sonhar e de me deslumbrar com o mundo e com o que a vida me reserva e contribuir para o bem-estar e felicidade de todos os que me rodeiam.

Uma inspiração?
A minha Mãe, pela sua capacidade de conciliar sempre a Família com a Vida Profissional, pelos ensinamentos de Vida e por me fazer acreditar sempre nas minhas capacidades.

O projecto da sua vida…
A minha Família e Amigos, que são o que melhor temos nesta vida.

Em que momento é que sentiu necessário passar a investigação para o mercado? Qual o principal motivo?
Quando ainda estava a fazer Doutoramento, tive a oportunidade de começar a colaborar em projetos de aplicação da nanotecnologia ao setor têxtil. Por outro lado, nessa época também comecei a colaborar com investigadores de áreas transversais, nomeadamente de Engenharia Química (FEUP) e do Departamento de Física e Astronomia (FCUP), assim como com centros de transferência tecnológica. Esta conjuntura gerou em mim um “bichinho” de conseguir transpor a investigação que desenvolvia no laboratório para o mercado. Assim, após concluir o doutoramento, senti a necessidade de pegar nos conhecimentos que tinha adquirido na área nos nanomateriais e aplicá-los ao desenvolvimento e criação de produtos inovadores de valor acrescentado. Como Química, tem sido extremamente importante compreender as propriedades intrínsecas aos (Nano)materiais para assim conseguir manipulá-las e maximizar o seu desempenho. Este caminho também tem sido possível pelas oportunidades que o grupo de investigação no qual estou inserida me tem proporcionado e que compartilha esta visão/missão. Mais recentemente, a participação em programas de empreendedorismo amplificou esta motivação, levando ao surgimento do projeto startup WEStoreOnTEX.

Por Isabel Martins Silva publicado in http://noticias.up.pt/

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