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Armando Campos Rodrigues (1942)

ARMANDO Campos Rodrigues nasceu em 1942, na Rua dos Ferreiros, na Póvoa de Varzim. Casou com Inácia Marques e tem dois filhos. Ainda menino, aprendeu com o pai a arte de cordoeiro. Na adolescência tratou da lida da casa de uma irmã e aos 15 anos foi aprender fotografia para a Foto Gomes, na Praça do Almada. Depois de cumprir o serviço militar abriu na Rua 31 de Janeiro, o estúdio “Mar Foto”, onde se entregou à arte de fotografar, durante mais de 40 anos.

“Olhar para o passado é regressar à miséria. Éramos pobres e o meu pai, cordoeiro, para ajudar à sobrevivência da família, tinha nas mãos dos filhos os torcedores de sisal. Por isso não nos deixou ir à escola. Mas um dia, tinha eu oito anos, apareceu a polícia e deu-lhe três dias para me inscrever na escola. Como o ano ia a meio, fui parar à Escola Nova, perto do Liceu. Fiz a primeira classe em quatro meses. Como era bom aluno, aos 12 anos tinha o ensino primário completo e nunca deixei de ajudar o meu pai a fazer cordas, que a minha mãe vendia pelas feiras de Famalicão e Barcelos”, recorda Armando Rodrigues.

A Póvoa de Varzim industrializou-se no fabrico das cordas, mas tudo nasceu nas mãos de antigos cordoeiros: “No lugar onde nasci, havia muita gente a fazer cordas à mão. O meu pai levava-nos para um terreno que um amigo lhe cedeu em Vila do Conde. Era preciso espaço para torcer o sisal com umas forretas e uma roda. Quando saí da escola já sabia toda a arte de cordoaria. Mas como o meu pai ficou doente, acabei por ir para a casa da minha irmã ajudar nas tarefas domésticas. Era menos uma boca para os meus pais. Depois, o meu cunhado arranjou-me trabalho no Alcino, dono da Foto Gomes, onde aprendi a técnica de colorir fotografias, no tempo do preto e branco”.

Foram dois anos de aprendizagem. Nesse período, Armando Rodrigues foi trabalhar para Alijó: “Como os namoricos não me facilitaram a vida no Alcino, respondi a um anúncio do ‘Jornal de Notícias’ e fui parar a um fotógrafo de Alijó, onde fotografei, com uma Rolleiflex, casamentos e baptizados até ir para a tropa”.

Com a especialidade de foto-cine, passou 24 meses em Angola: “Mandaram de Luanda o ampliador, as lâmpadas e uma boa máquina fotográfica. Fui eu mesmo que construí o quarto escuro, com pedras encasteladas e uma cobertura, para poder revelar. Fotografava no quartel e em algumas operações no mato. No fim do mês dizia quantas fotos tinha de cada um e recebia. Também era responsável por enviar, para Luanda, as bobines de filmes que se faziam no mato”.

Com a experiência acumulada, no regresso da vida militar, o fotógrafo decidiu trabalhar por conta própria: “Na tropa consegui juntar duas dezenas de contos (100 euros) e acabei por abrir um estúdio de fotografia na Rua 31 de Janeiro, o ‘Mar Foto’, mas toda a gente conhecia o estabelecimento por foto Armando. Fazia muito trabalho de estúdio, como revelações e fotografias, mas também reportagens sociais. A comunidade piscatória era pobre e não tinha dinheiro, mas era gente séria e eu fiava. Deu para viver”.

Leia a notícia na íntegra na edição impressa da A VOZ DA PÓVOA.

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