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André Riboira...

André Riboira, 30 anos

ANDRÉ Riboira, com 30 anos, tem já um percurso académico invejável. Recentemente, viu o Remote Debugging Service – tecnologia que desenvolveu a par de Rui Maranhão, seu professor na Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) – ser premiada com o prémio ibérico “Da Ideia à Ação”, organizado pela RedEmprendia. Este software inovador foi a única ideia portuguesa distinguida em Madrid, onde estiveram representados projetos de mais de quarenta e cinco investidores institucionais e privados, provenientes de cinco países.

Explicado de forma simples, o Remote Debugging Service é “semelhante a um hospital de software”. Normalmente um software tem bugs, conseguem ver-se os “sintomas, mas as causas são difíceis de descobrir”. Esta ideia, que conquistou o 2º lugar do iUP25k e o primeiro lugar num concurso da ANETIE, permite uma análise detalhada do software, fazendo exames e criando um diagnóstico apurado, indicando as “localizações mais prováveis dos problemas de software, para que os programadores os possam corrigir”.

Depois de completar o bacharelato em Engenharia Informática no ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto), André Riboira prosseguiu a atividade profissional como freelancer no desenvolvimento de aplicações web, tendo chegado a criar a sua própria empresa. A curiosidade e empenho no desenvolvimento de novas soluções e tecnologias levou-o a ingressar no MIEIC (Mestrado Integrado em Engenharia Informática), da FEUP, que concluiu em 2011. Foi após essa conquista que participou no projeto “SSaaPP – SpreadSheets as a Programming Paradigm” na Universidade do Minho (financiado pela FCT), aplicando técnicas de debugging automático em folhas de cálculo. Iniciou, depois a colaboração no projecto CSR:Small, na FEUP (financiado pela NSF, EUA) e foi nessa altura que surgiu a ideia do Remote Debugging Service, e que começaram os contactos com a UPIN para proteger a tecnologia.

André Riboira é um investigador reconhecido e tem mais de 10 publicações em revistas e conferências nacionais e internacionais, além dos prémios de empreendedorismo. Neste momento, a principal meta é terminar o doutoramento e criar a empresa spin-off da U.Porto (em simultâneo), de forma a fazer do Remote Debugging Service uma referência na sua área de investigação.

De que mais gosta na Universidade do Porto?

No geral, tenho uma óptica imagem da Universidade do Porto, que se mostrou ser uma excelente colega de equipa. O apoio que recebi da UPIN foi algo que não me passou despercebido. Sempre achei que questões relacionadas com transferência de tecnologia e criação de spinoffs fossem complexas, demoradas, com imensa burocracia e formalismos… Mas fiquei surpreendido com a forma como trataram de tudo por nós, deixando-nos livres para nos dedicarmos ao que realmente sabemos fazer: investigação, desenvolvimento e planeamento da nossa futura empresa. Também nos mantiveram a par das oportunidades que foram surgindo, quer em termos de concursos de ideias, quer em termos de possíveis fontes de financiamento, e aconselharam-nos sempre os melhores caminhos a seguir. Sem dúvida que todo este apoio foi fundamental para acreditamos que era possível seguir em frente.

De que menos gosta na Universidade do Porto?

A minha experiência com a Universidade do Porto não teve episódios suficientemente negativos ao ponto de permanecerem na minha memória. Os pequenos problemas com que ocasionalmente me vou deparando acabam por ser resolvidos. Não considero que a universidade tenha alguma falha grave a apontar.

Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

Acho que as diversas faculdades podiam interagir mais entre si, criando mais projectos curriculares (multi-disciplinares) em conjunto. A ligação da universidade às empresas felizmente já existe, mas poderia também ser fortalecida, de forma a que os alunos pudessem não só ter um contacto mais próximo com o mercado de trabalho, mas também entender melhor as suas necessidades. Desta forma, estou certo que seriam produzidas ainda mais soluções inovadoras.

Como prefere passar os tempos livres?

Nos tempos livres tento estar com a família e com os amigos sempre que posso! Seja em casa, seja em viagem, ou qualquer actividade lúdica ou desportiva. Gosto pouco de rotinas no que diz respeito a “tempos livres”, portanto não sou grande especialista ou entusiasta de nenhum hobbie ou modalidade em particular, mas tento fazer de tudo um pouco (fotografia, squash, wakeboard, etc.)

Um livro preferido?

Esta pergunta não é fácil para quem gosta mais de números do que de letras, e mais de acções do que de palavras… Mas posso revelar que neste momento estou a ler o “Manual de instruções do bebé”. Acho que me vai ser muito útil em breve.

Um disco/músico preferido?

Cada momento tem a sua música apropriada, para além de que ao longo da vida as preferências musicais vão evoluindo… Qualquer resposta que eu desse neste momento sobre o meu disco ou músico preferido teria um prazo de validade extremamente reduzido. Assim, prefiro dizer que gosto de várias músicas mas não as tenho ordenadas por preferência, o que me impede de selecionar a melhor da lista.

Um prato preferido?

Tendo nascido no Porto, e sendo esta a cidade do meu coração (as tradicionais tripas que me perdoem mas) escolho a francesinha como meu prato de eleição!

Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Sem dúvida a minha lua de mel, nas Maldivas e em Paris.

Um objectivo de vida?

Continuar a ser feliz.

Uma inspiração?

A vida. Sem dúvida que a vida é o que mais me inspira. Tem desafios interessantes para me divertir e imensas coisas fantásticas para eu descobrir… A cada dia que passa aprendo sempre algo de novo, e isso é sem dúvida o que mais me inspira.

O que foi mais importante ao ganhar todos estes concursos e prémios?

Nós sempre acreditamos na nossa ideia. Desde o princípio que soubemos que ela tem um enorme potencial e pode resolver vários problemas actuais. Estes prémios que fomos recebendo durante este ano foram a confirmação que não somos apenas nós a pensar assim. É muito gratificante saber que a nossa ideia foi tão bem aceite junto de especialistas em negócios. Pela investigação que realizámos, soubemos que a nossa ideia funciona em termos técnicos. Com as vitórias nestes concursos tivemos a confirmação que temos as condições necessárias para que funcione também em termos comerciais. Foi a confirmação que faltava para partimos para a criação da empresa, confiantes no seu futuro.

Por Sara Fidalgo in http://noticias.up.pt/

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