Do Porto

Amândio Lopes da Costa (1939)

3 Junho 2017 Comentar

AMÂNDIO Lopes da Costa, mais conhecido por ‘Armando dos Plásticos’, nasceu em 1939, em Calendário, Famalicão. Filho de um alfaiate, concluída a quarta classe, não lhe seguiu as pisadas, mas aprendeu a costurar e foi aos 14 anos trabalhar para uma fábrica de plásticos e encerados no Porto. Em 1958 veio trabalhar para a empresa poveira Terra Mar, como encarregado. Alguns anos mais tarde casou com Rute Pinheiro, mãe de dois casais de filhos. Estabeleceu-se por conta própria em Poça da Barca, onde vive e ainda trabalha nos plásticos. Pelo meio ainda arranjou tempo para se dedicar à arbitragem, tendo sido árbitro do regional e fiscal de linha dos nacionais de futebol.

“Quando fui trabalhar para a fábrica de plásticos, no Porto, apanhava o comboio às cinco da manhã e levava a marmita comigo. Alguns anos depois os patrões venderam a fábrica e abriram outra numa quinta, em Famalicão. Na minha terra havia um senhor que tinha a empresa Terra Mar, na Póvoa, e como precisava de uma pessoa que trabalhasse nos plásticos, ofereceu-me mais dinheiro e eu vim. Estava hospedado e só ia ao fim-de-semana a casa. Entretanto comecei a namorar e convenci o meu pai a trazer a família para a Póvoa porque não faltava alfaiatarias”, recorda Armando dos Plásticos.

Na empresa Terra Mar, onde foi encarregado, todo o trabalho passava pelas suas mãos: “Era eu que cortava as peças e ensinava as mulheres a trabalhá-las. Fui muitas vezes ao Morais das carroçarias tirar medidas para fazer as capotas das carrinhas e camiões e fiz imensas para as viaturas da fábrica do leite. A casa também trabalhava muito para os pescadores do bacalhau”.

Os bacalhoeiros levavam as roupas de trabalho para os barcos e nessa fase não havia mãos a medir, recorda Armando dos Plásticos: “Ainda fiz alguns casacos em pano-cru. Depois eram impermeabilizados com gorduras. Os pescadores usavam na cabeça um sueste, um casaco grosso e uma saia de oleado, porque as botas subiam coxa acima. Era tudo feito num encerado grosso, cosido e vulcanizado com um maçarico. Quando me estabeleci, ainda trabalhei anos para os bacalhoeiros. Os pescadores das traineiras de Matosinhos usavam um avental em vez da saia. De resto, a farda era a mesma dos homens do bacalhau, tal como os sargaceiros de Apúlia que usavam o casaco, a saia e o sueste. Também trabalhei para esta gente da língua do mar”.

Leia a notícia na íntegra na edição impressa da A VOZ DA PÓVOA

Deixe aqui o seu comentário!

Insira o seu comentário, ou trackback do seu próprio site. Pode também Subscreva estes comentários via RSS.

Correcção e Respeito por todas as opiniões.

Este site disponibiliza o Gravatar. Para criar o seu Gravatar faça o registo em Gravatar.