Do Porto

A Metalúrgica (1896)

11 Junho 2017 Comentar

EM Campo, concelho de Valongo, existe uma empresa de formas para pão e bolos que além de conquistar os quatro cantos do mundo, conquistou também os trabalhadores, aos quais é atribuída uma parte dos lucros há três anos consecutivos.

A A Metalúrgica é um projeto familiar que vai na quinta geração, soma 121 anos de existência, conta com 115 colaboradores, exporta 95% da produção e desenvolve a atividade ao longo de 6.300 metros quadrados cobertos inseridos numa área total de 25.000.

Em declarações à agência Lusa, uma das colaboradoras mais antigas da empresa, Arlete Coelho, conta, quando questionada sobre se viu com surpresa a decisão da administração de distribuir parte dos lucros com os funcionários, que quem trabalha na Metalúrgica “veste a camisola da empresa” e por isso é “recompensado e incentivado”.

“Esta empresa é uma família. Os administradores nunca se puseram num patamar superior ao nosso. Tomam todos os dias o cafezinho da manhã connosco. Desejamos que a empresa tenha todo o sucesso do mundo e é por ter a camisola ‘Metalúrgica’ vestida que recebemos uma fatia desse sucesso”, descreveu Arlete Coelho, de 59 anos, há 30 a trabalhar na empresa.

À explicação da diretora de serviços, juntam-se opiniões semelhantes quer do mais antigo colaborador, Jorge Humberto, chefe do setor das bancas, 49 anos, há 34 na Metalúrgica, quer do mais recente, Vítor Moreira, técnico de manutenção industrial, 22 anos, há três na empresa.

“Essa surpresa [a decisão de distribuir lucros] deu mais dinâmica aos colaboradores, mas já estávamos empenhados antes. É um incentivo, os colaboradores ficaram muito contentes e trabalham com mais alegria”, contou Jorge Humberto que foi o primeiro colaborador a ser surpreendido pelos patrões quando atingiu 25 anos de casa.

Nessa data, pediram a Jorge Humberto que fizesse serviço no exterior, enganaram-no “bem”, contou, e quando regressou já estava montada uma festa com bolos feitos em formas da Metalúrgica. E a salva de palmas ecoou pela fábrica.

Jorge Humberto, que gere dois turnos de produção, cada um com 22 pessoas, elogia também a “mistura” de gente nova e gente com experiência, como ingredientes de sucesso para a receita Metalúrgica.

Vítor Moreira é um desses trabalhadores jovens. Conheceu a empresa graças ao centro de formação profissional CENFIM e, ao estágio curricular seguiu-se um convite para estágio profissional, e depois um convite para integrar a equipa.

“Trabalhei para poder ficar aqui, surgiu a oportunidade e agarrei-a. O meu grupo de amigos [fora da empresa] tem realidades diferentes e às vezes chamam-me ‘irrealista’ mas dou-lhes o conselho de se dedicarem um pouco à empresa para que sejam recompensados”, descreveu à Lusa.

Este técnico de manutenção industrial é às vezes “visitado” no seu local de trabalho pelo administrador que representa a quarta geração da família que gere esta empresa centenária.

Agostinho Santos gosta de passear pela área de produção, e de manter a proximidade com os colaboradores, e foi ele quem em 2014 anunciou a todos que iriam receber parte dos lucros. Primeiro mandou parar as máquinas, depois reuniu os colaboradores e depois a salva de palmas ecoou novamente.

Os números sobre esta distribuição não foram totalmente desvendados à Lusa com o argumento da administração de que da mesma forma que num bolo existem ingredientes especiais e secretos, nesta situação o objetivo da empresa é que os trabalhadores se sintam “especiais” e que o segredo do sucesso permaneça bem guardado.

Raquel Santos, que representa com a irmã Ana Santos a quinta geração Metalúrgica, apontou que em média o vencimento de um ano aumentou para cada trabalhador em cerca de 11% e avançou que parte dos lucros está a ser reinvestida em “assegurar futuros”.

“Estamos sempre a pensar nas sucessões. Preocupamo-nos não só com o futuro da administração, mas também dos trabalhadores, nas sucessões no sistema de produção. A arte que eles têm advém de 30 e tal anos de trabalho”, contou a administradora.

Por este motivo a Metalúrgica, que de 2015 para 2016 cresceu 36% no volume de negócios, está a finalizar a implementação de um sistema que permite “inventariar” aspetos técnicos que até aqui estavam “mais na cabeça das pessoas”.

“Trata-se de transferir o conhecimento e a experiência dos colaboradores mais antigos para um sistema integrado”, descreveu Raquel Santos, acrescentando a aposta em painéis solares, num investimento de 150 mil euros, que visa “pensar no planeta e reduzir a fatura energética”.

Marrocos e a exploração do comércio industrial do Reino Unido e dos EUA são alguns dos mercados recentes da empresa que no último Natal deu presentes a 45 crianças, os “filhos Metalúrgica” que também compuseram a mesa de vários metros montada para o churrasco do último aniversário.

Por Lusa publicado in Diário de Notícias

Ver ainda: A Metalúrgica. Cinco gerações a fazer formas para bolos

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