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Zilda Cardoso

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9. Passei em Moledo, Casa da Eira, estes últimos dias… O tempo esteve maravilhoso: sol brilhante, boa temperatura, cores tremendamente nostálgicas, perfumes a serem esbanjados, outonais, de frutos maduros e doces, matizados, esquisitos. 

8. Não sei bem o que é… é o que for, existe, não existe… Não sei bem o que é. Não posso definir. 

7. Não creio que este mar seja arrogante, como dizem. O caso é outro. Pode dar essa ideia quando se zanga e se atira contra os rochedos, lhes bate e os reduz, de facto, espatifando-os em mil pedaços que espalha e finalmente fixa noutros pontos. Onde acabam por perdurar durante séculos ou milénios. 

6. Era meado de Março, a temperatura alta para aquela hora da tarde… A folhagem do chão que, no fim do Verão estalava sob a rudeza dos meus pés ou rugia mesmo, mais tarde… apenas um murmúrio me permitia escutar, se com atenção, o que dizia. 

5. Devo redefinir a palavra MAR. Segundo o que vejo hoje, não posso chamar mar ao que habitualmente chamo mar. O que hoje vejo é uma colcha de seda brilhante e selvagem, activa, com cores cujos tons tornam a sua cor indefinida. E os brilhos são apenas seus movimentos delicados e aparentemente superficiais. 

4. O que vejo da minha janela é uma vastidão, dizem. É, com certeza, uma quantidade extensíssima de água – um lago – rodeado por qualquer coisa que a retém e que não tento descobrir. Não sei se é uma vastidão. 

3. Costumamos dizer e ouvir dizer que pensar dá muito trabalho, e que as pessoas em geral não gostam de pensar. Assim não apreciam ler porque ler dá que pensar. 

2. Um dia de calor na cidade 

1. As pontes da cidade 

1 COMENTÁRIO

  1. Foi com surpresa que deparei com a reprodução deste meu artigo no Correio do Porto. E quero agradecer. Por vezes tenho pena que artigos com interesse geral não sejam mais lidos, mas não sei o que fazer para o conseguir para além de tentar escrever o melhor possível e de escolher temas não demasiado superficiais nem muito comuns, também não políticos…
    Obrigada.
    Zilda Cardoso

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