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Vanessa Rodrigues (1981)

Vanessa Rodrigues (1981)

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Faça sol, ou faça frio, dá conselhos a desconhecidos. Mandou fazer uma placa onde se lê: “Dá-se conselhos sobre (quase) tudo, Sim de graça, Experimente”. Desde então, todos os domingos, Romeu (sem-Julieta-e-dono-de-um-cão-chamado-André-que-usa-como-personagem-de-fotonovelas) está na Avenida Paulista, por onde passam, diariamente, milhões de pessoas. 

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Devo confessar o seguinte: comecei a anotar, num bloco de notas digital, coisas que acho esquisitas ou, no mínimo, minudências estrambólicas. A lista chama-se assim: Do obnóxio. Tem já uma extensão generosa, o que, bem vistas as coisas, pode ser um bocado preocupante. 

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A Rua do Campinho, no centro do Porto, é a toca de um homem grande. Oskar Klaus poderá ser o seu nome. Tem nome de Oskar Klaus. 

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Ela vive num mundo além do nosso. Nesses tantos mundos que o mundo tem. Viver na Amazónia é por si a ideia de uma galáxia remota, primordial. 

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Além, no horizonte pasmado, uma cortina oblíqua. Os fios dançam diáfana e ingenuamente ao galope do vento, esse sábio dos sussurros do tempo na morfologia natural. 

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Tudo começa na esplanada de um pão-quente onde se bebe café com nome de dromedário. O pão é duro e a empregada diz-me que, normalmente, os clientes que pedem sumo de laranja bebem, depois, café-camelo. 

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Poderia este texto relacionar-se com a ordem dos dias, falando de política, ocupando-se das notícias e das inquietações da Feira da Ladra em que se tornou a arena pública em Portugal. Poderia. Mas impuseram-se as conversas de um Domingo de sol dourado, como a querer despedir-se do Inverno, porque o olor a magnólias e orquídeas já entra assim pelas narinas. Toda uma sinfonia. Poderia, e eu nem sequer pensaria escrever este texto num domingo à tarde, não fosse o senhor Manuel, homem de mãos tremidas, herança de Parkinson, servindo chávenas de café, falar-me de gatunagem e solidão. 

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A primeira vez que descobri a magia da fotografia foi com uma Canon analógica da família, que foi responsável, durante muito tempo, pelos momentos eternizados em dezenas de álbuns guardados hoje no armário da sala. 

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O ano passado houve queixas de que fotografei “poucochinho” (aliás uma das palavras do ano). Não é verdade, partilhei foi pouco no planeta online. 

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Podem vir as HDDSLR. Podem vir os iphones. Podem vir as compactas com os seus invejáveis píxeis. Fui ao resgate. 

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O Homem carrega em si uma insatisfação prosaica, um dilema ancestral, que é o amor à terra e, simultaneamente, a vontade de se desprender dela, em busca de felicidade, de um eldorado, escapando a opressões, guerras e misérias, ou apenas para chegar ao pão para comer. 

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Depois da última crónica, nunca mais me dediquei à literatura de chão. Até porque, apercebi-me, esse efémero estilo literário,… 

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Há dias absolutamente normais. Dias em que se recebe três vacinas exóticas, em que se compra peixe ao som de música clássica, e em que se pensa em ser livro. Banal, portanto!  

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Laura fez questão de me mostrar as perucas, os batons, a variedade de armações de óculos e os doces que comprara nessa tarde, em Ciudad del Este, no Paraguai, a meia hora de autocarro de casa dela, em Foz de Iguaçu, no Brasil. 

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Será que há no mundo cidade com mais ilhas do que o Porto? Pedaços de terra intersticiais da anatomia citadina em terra, ligações insulares que provam que, afinal, o homem pode ser uma ilha? 

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Outonar 

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Bonfim, Anatomias 

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Ganhei o 3.º Lugar com o CONTO “Nó Górdio, o dia em que enganamos a morte” do Concurso Literário OFF FLIP, em Paraty 

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A caçadora de histórias 

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Snifar papel 

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Máquina do tempo 

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O Palco é um mundo (Festival de Teatro Amador de Valbom) 

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Torre de Babel 

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Malvada letargia do deserto 

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Dona Rosa e os Vasos de Flores 

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A imortalidade 

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A inamovível condição de ser prédio 

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7 perguntas a Vanessa Rodrigues

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