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Gustavo Caron...

Gustavo Carona (1980)

A carga emotiva é tão grande que parece que as ditas vivências da Síria nunca foram suficientemente processadas… Mas chegou a hora de enfrentar o touro pelos cornos, e começar a deitar cá para fora, como sempre sem saber muito o que dai virá… 

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Fechando a página sobre o Afeganistão. Às vezes tenho que me perguntar e puxar bem atrás as minhas memórias para que me recorde porque é que eu comecei a escrever…

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Há qualquer coisa de mágica sobre o Afeganistão… Todos os países têm o BI do seu povo e da sua terra e o do Afeganistão é bem forte… Localizado numa fronteira entre mundos, sempre foi a terra dos Afegãos… Gente de carácter vincado, sólido e inspirador… Triste é que aos olhos de quase todo o mundo se trata apenas de uma campo de batalha… quando é tão mais do que isso… 

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Partilho aqui a entrevista que fiz há dias para a Radio Sim/Renascença . A partir dos 12´15´´, tive das conversas sobre os Médicos Sem Fronteiras e a Medicina Humanitária que mais gostei até hoje. 

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Doentes que morrem que não “precisavam” de morrer… Por vezes os desafios, estão nas mais pequenas coisas… O calor, as regras de segurança, os telefones q mal funcionam… Há dias, q as noites mal dormidas, e as frustrações profissionais, nos levam a pôr tudo em causa! 

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Nesta história que me marcou de sobre maneira, simbolizo também o reforçar de uma das primeiras conclusões humanitárias se assim lhe posso chamar… A intensidade de viver não só o problema, mas viver no problema, para alem do meu trabalho clínico e de formação, leva-me obviamente a uma reflexão diária dos “porquês”, destas catástrofes humanitárias que tenho vivido de bem perto… 

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Começo aqui a contar-vos a primeira historia de muitas que poderiam ser contadas sobre a minha estadia no Congo, em que trabalhei como médico anestesista para os Médicos Sem Fronteiras, numa região chamada Norte Kivu, na cidade de Masisi, perto da fronteira com o Ruanda, região esta muito complicada, pois tem sido inocentemente castigada por uma guerra terrível, que teima em não parar e que terá já morto nos últimos 15 anos cerca de 5 milhões de pessoas… 

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Continuo no Sul do Afeganistão… ponto mágico deste planeta…com a sensação que estou longe….muito longe de todo o mundo, principalmente do meu mundo… 

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Felizmente, toda a raiva, energia hiper-negativa, e o fumo que me saia por todos os poros do corpo, foram postos de parte, mal senti o tom de voz de urgência do enfermeiro que me veio chamar… 

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A primeira mensagem que eu gostava de deixar é que uma guerra, não passa apenas porque deixamos de ouvir falar nela… simplesmente deixa de ser interessante para os media e seus consumidores, ouvir/ler/ver mais do mesmo…

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Muita gente não quererá a minha opinião…pois então não leiam! Mas sei que a nossa opinião será sempre reflectida, de alguma forma, com menor ou maior expressão em quem, em algum momento seja portador de importantes decisões … 

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Ao entrar na Síria, num dia que jamais me esquecerei, a presença das bandeiras pretas, barbas islâmicas, metralhadoras montadas em 4×4, e um ar profundamente ameaçador, fez-me sentir medo como nunca antes… 

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Aterrar em Kabul, é no mínimo lindo de morrer. Após sobrevoar uma enorme parte do Afeganistão, a contemplar a incrível beleza da cordilheira do Hindu Kush, 

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De volta ao Afeganistão…fecho os olhos e regresso ao Afeganistão…ou talvez um bocado antes…à Partida, à preparação, literalmente para a Guerra. 

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Querido Porto 

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É isto que me motiva. É isto que me faz acreditar! 

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Olá a todos 

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A bonita história de Gobegnu 

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7 perguntas a Gustavo Carona

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