A manta de burel

POR volta da meia-noite, em locais escusos, fazia a mezinha: queimava arruda na pureza do fogo, cosia a boca aos sapos na época do cio. Sobre a manhã, descia ao rio: levantava a saia longa e despejava uma ladainha impercetível. Mulher temida. De pelo na benta, diziam os que a receavam. Um dia passou na aldeia o desconhecido. Na taberna, pagava vinho e presunto por troca do segredo da mulher. Nada soube, como se ela tivesse cerzido a boca do povo. Texto de Francisco Duarte Mangas com ilustração de Inma Doval

Tabuleta Digital