Dois lados da mesma moeda sem valor

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ESCOLHO salada de atum sem qualquer alternativa. A funcionária funga um sorriso por baixo dos óculos embaciados e, ao mesmo tempo, grita alto o suficiente para que o pedido entre pelo postig...

Até já!

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O BALCÃO tem alguns pontos um pouco pegajosos, talvez do hábito de rasparem o platinado que separa a sorte do azar, dos fundos dos copos de fino ou dos sujos. A mão grande, calosa, seivosa, ...

E por aí fora

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HABITAVAM-ME várias vantagens de ser (porque todos somos um pouco do que vivemos) uma aldeia a quem, contra sua vontade, teimavam em chamar vila. Uma delas era, sem dúvida, a estação dos cor...

“Meia regueifa e uma vida inteira”

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COM o tempo chuvoso não me parece que isto se possa chamar andar a pé ou caminhar, vou simplesmente a navegar pela rua abaixo, vendo entretido pequenos regatos que se formam nas bermas limpa...

“Vida às prestações”

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O TERMO meio do monte deve ter sido retirado por alguém que se deslocou aqui, onde estou. A carrinha entra folgadamente e sem custo, mas a saída avizinha-se difícil pois não há local para po...

“É a vida”

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A VIDA faz uma pausa prolongadamente breve na tarde brevemente prolongada. Ouço suspiros árduos serem derramados na impossibilidade masculina de ver ter lágrimas nas faces ásperas de soca...

“Translação instantânea”

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DURMO baixinho, entro no sono sem que ele se aperceba, encontro à minha espera um longo caminho que me levará ao meu verdadeiro útero. Vou voltar por entre pétalas, em poesia que floriu s...

Cloud-icando

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O FRIO vai surgindo, deixa-se cair como um lençol invisível pelas costas. Arrepio-me. Por momentos penso que é já de manhã. Os dias têm adormecido cansados, pudera, vou deixando-os ao aba...

Dez-níveis

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VEJO-OS desarrumados, nos passeios latrinados que ladeiam as calçadas, agora sem pátria, a arrumar, em movimento sincronizados (aqui chefe!), as pessoas veiculizadas das cidades. Os olhar...

Hoje sou eu

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DESCALÇO-ME. Sinto a terra, quente, nos meus pés. Algures pelo Universo, este berlinde rodopia e rodopia-se, incessantemente, durante anos e segundos. Não consigo deixar de me senti...

Dois relâmpagos e três trovoadas

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O TEMPO, apesar de não existir, vai fazendo de cada um de nós o modelo para as suas pinturas. Crava uma ruga aqui, uma saudade ali, um qualquer padrão que nos embrulhe e entrega-nos à vida, ...

Royal Mile

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A ROYAL Mile estende-se preguiçosamente, esquecida quase que está pelo calcorrear maléfico das altezas reais que de gente fez degrau e, abaixo e acima, fazia do povo sina. O vento corre seco...

Partidas e chegadas

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COMPREENDO agora a falta das palavras e a necessidade de as acarinhar antes de as deitar no papel. Sinto falta de escrever como quem anseia por um sorriso ao final de um dia de trabalho. Tra...

Fruta engomada

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É DIA de feira, como sempre é quando não sei que é. Subo a avenida principal, a mesma que tantas vezes quis saber o nome e, ainda agora, não o sei. Creio não ser importante o nome pelo qual ...

Tabuleta Digital

Vai no Batalha

Bragança Fernandes (1948)

O António Costa neste momento está a acender uma vela para que [Rui] Rio ganhe.

Rua da Estrada que não funciona

A RUA da Estrada que não funciona perdeu o asfalto. Regressou à terra. Resta a gravilha, sulcos de terra que o sol irá empoeirar ou lamaçal quando vierem as grandes chuvas. Outros tempos houve em que o bulício não despegava. Para a grande catedral branca rumavam toneladas de grãos de trigo em camiões e do comboio que ali passava iam e vinham outras mercadorias e outra gente que agora deu sumiço. Era a estrada que cruzava a estação, o caminho-de-asfalto e o caminho-de-ferro, esfolado um e desferrado outro. Ficou a estação do tempo salazarento, monumento de arquitectura do Portugal dos Pequen...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

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Os Aquários são de vidro?