Da escuridão dos teatros

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RECORDO, com prazer, a terrível escuridão dos teatros. Antes mesmo de começar a peça, quando todas as luzes se apagam, durante aqueles segundos infindáveis que precedem as aparências, no mei...

O jardim das virtudes

/ 221 leituras
SOU um Walt Whitman frustrado, no Jardim das Virtudes, a tentar escrever um poema no céu. São as nuvens que se movem como palavras demasiado livres para se deixarem fixar num só contexto. O ...

Cidades videntes

/ 314 leituras
FIND what you love and let it kill you”, escreveu Bukowski. Foi mais ou menos isto que eu senti da última vez que estive em Madrid. Senti que a cidade me tinha roubado o controlo e dado uma ...

A síndrome de Fitzgerald

/ 408 leituras
TENHO andado a voar com a prosa de Fitzgerald. Gosto da destreza com que o escritor americano articula tão amavelmente os temas da dissipação, do luxo, excelso e venenoso, do excesso e do ri...

Clichés e Profecias

/ 316 leituras
HÁ uma canção de David Sylvian que diz tudo: September. Gosto de poemas curtos, quase sentenças, de pequenas caixas cheias de música, como o som do mar que sai dos búzios. Podia ficar horas ...

O Sul

/ 150 leituras
UM campo de navalhas perfumadas. Tento encontrar a exacta imagem do Verão, a chave do Verão. Releio os poetas, repito as palavras, vacilo, aguardo, espero que a coisa nasça, rebente, naufrag...

Elegia

/ 122 leituras
O FOGO fala simultaneamente todas as línguas. E essa é a tirania. Não há tradução possível. As chamas crescem ao longo do idioma do mundo, modificam-no. De repente, as palavras já não são as...

De passagem pela Corunha

/ 143 leituras
NO mês passado, tive a felicidade de apresentar o meu livro, “Dramas de Companhia”, em Espanha. Recebi o convite de Inma Doval, artista plástica galega, bibliotecária na Faculdade de Educaçã...

Borges e eu

/ 571 leituras
TODOS os turistas parecem um pouco míopes quando estão perdidos. Há, na sua mais sincera desorientação, uma ternura proibida, um nítido apelo de luz sobre o rosto. Gosto de os ver caminhar n...

O céu transfigurado

/ 467 leituras
CONSIDERADA por muitos como uma das mais poderosas representações do céu da História da Arte (dinâmico, profético, tenebroso), o quadro “Vista de Toledo”, de El Greco, continua a ser um enig...

Um círculo perfeito

/ 645 leituras
ALGUNS aproximaram-se demasiado da lucidez. Quando o pensamento ganhou uma estranha autonomia e começou a levar tudo à sua frente, perderam-se. Agora já pouco sabem, ou pretendem saber, a re...

Submundo

/ 690 leituras
QUANDO me aborreço da cidade superficial, corro para a estação de metro mais próxima. Gosto de sentir na pele o que Jean Valjean, o miserável herói de Victor Hugo, sentiu quando desceu aos e...

Imagens do Inverno

/ 679 leituras
CHEGOU o Inverno, ou melhor, chegaram as imagens do Inverno, a superfície gelada de um lago, uma montanha, ao fundo, ostentando uma espécie de candura avassaladora, o vidro de uma janela fus...

Cidade felina

/ 640 leituras
VOLTEI a Eugénio, recentemente. Não sei porquê. Ou melhor, até sei. Gosto de gatos, e os poemas do Eugénio – até pela forma como ele os dizia – lembram-me esses animais voluptuosos por fora ...

Tabuleta Digital

Vai no Batalha

Bragança Fernandes (1948)

O António Costa neste momento está a acender uma vela para que [Rui] Rio ganhe.

Rua da Estrada que não funciona

A RUA da Estrada que não funciona perdeu o asfalto. Regressou à terra. Resta a gravilha, sulcos de terra que o sol irá empoeirar ou lamaçal quando vierem as grandes chuvas. Outros tempos houve em que o bulício não despegava. Para a grande catedral branca rumavam toneladas de grãos de trigo em camiões e do comboio que ali passava iam e vinham outras mercadorias e outra gente que agora deu sumiço. Era a estrada que cruzava a estação, o caminho-de-asfalto e o caminho-de-ferro, esfolado um e desferrado outro. Ficou a estação do tempo salazarento, monumento de arquitectura do Portugal dos Pequen...

Enigmatógrafo

Enigmatógrafo de Augusto Baptista

/ 409 leituras
Os Aquários são de vidro?