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Porto visto por Sofia Moraes

SOFIA Moraes é professora de português. Nasceu na freguesia de Cedofeita, Porto, tendo vivido sempre próximo do centro histórico, o que influenciou o seu modo de estar no mundo e, logo, os seus trabalhos literários. No espaço citadino pôde aceder aos vários discursos da cultura. Por isso diz que o Porto tem uma margem mas várias pontes. Não tem a mania do envio de postais, mas agrada-lhe a prática da literatura postal. Confessa que sente mais prazer em receber postais, embora isso seja raro, hoje em dia.

Por Paulo Moreira Lopes

1 – Data de nascimento e naturalidade (freguesia e concelho)?

25/05/63 Freguesia de Cedofeita, Porto.

2 – Atual residência (freguesia e concelho)?

Sé, Porto e Fânzeres, Gondomar.

3 – Escolas/Universidade que frequentou no distrito do Porto?

Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

4 – Habilitações literárias?

Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Português, Francês.

5 – Atividade profissional?

Professora de Português (3º Ciclo e Ensino Secundário).

6 – Em que medida o local onde viveu ou vive influenciou ou influencia o seu trabalho por referência a fenómenos geográficos (paisagem, rios, montanha, cidade), culturais (linguagem, sotaque, festividades, religião, história) e económicos (meio rural, industrial ou serviços)? [1]

Nasci e vivi sempre no Porto (ou próxima dele), muito perto do centro histórico, e certamente que essa convivência com a cidade influencia o meu modo de estar e, logo, os meus textos. É um espaço citadino, diria antes o burgo, que nos protege entre ameias de granito irregulares e semeadas na paisagem mas no qual vamos mapeando um mapa de referências naturais como contraponto inesperado de fragilidade: a magnólia da Praça, o jacarandá do Largo do Viriato, as japoneiras a espreitar sobre as grades dos jardins…..os plátanos….e essa licença constante de desaguar no mar. Entre o burgo introspectivo debruçado sobre o rio e o transbordo para o infinito da orla marítima aprende-se o prazer do ser e a inquietação do partir. Daí que o Porto me surja orgulhoso e aberto ao que de outrem vem. Se na Escola Primária da Sé aprendi que o palavrão, que me era interdito, podia albergar todas as nuances do carinho (Ouve-se de uma mãe dizer a um filho: “Ai, meu filho da mãe”), foi também dialogando com o Porto que acedi a outros discursos do mundo: pelo cinema, pelo teatro, pela música, pelas livrarias, pela Biblioteca Pública, etc. Pois todos os falares são cultura e o Porto tem uma margem mas várias pontes.

7 – Endereço na web/blogosfera para a podermos seguir?

Facebook

Literatura postal

8 – Tem a mania dos postais? Em caso afirmativo como explica essa apetência por uma literatura tão sucinta e tão efémera?

Não tenho, mas agrada-me esta forma “sucinta e efémera” de literatura que já tenho praticado noutras circunstâncias.

9 – Sente mais prazer em comprar, escrever e enviar o postal, em saber que foi recebido por outro ou em receber postais de outros?

Sinto mais prazer em receber, embora isso seja raro, hoje em dia.

10 – Tendo em conta a popularidade da correspondência postal, será que podemos falar de uma literatura postal, quem sabe como uma derivação dos contos ou microcontos?

Julgo que sim.

[1] A pergunta pressupõe a defesa da teoria do Possibilismo (Geografia Regional ou Determinismo mitigado) de Vidal de La Blache, depois seguida em Portugal por Orlando Ribeiro, segundo a qual o meio (paisagem, rios, montanhas, planície, cidade e, acrescentamos nós, linguagem, sotaque, festividades, religião, história) influencia as opções profissionais e artísticas dos naturais desse lugar.

§

sofia_moraes_frente_HP_2016

Álvaro Lince por Sofia Moraes para a I Convocatória de Histórias em Postais.

1 COMENTÁRIO

  1. Em síntese:
    um trabalho muito singelo e inequivocamente original.
    Também pelas palavras da entrevista, um caso que dá pano para mangas.
    Aguardam-se novidades da mui discreta autora.

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